Inconsciente coletivo

Hoje meu esposo me perguntou: por que colocar óleo no cozimento do macarrão? Não sabendo responder, só pensei que sempre fiz assim, minha mãe me ensinou assim e talvez minha avó a ensinou assim. Curiosa pesquisei se seria correto cozinhar o macarrão com óleo e para minha surpresa descobri o porque de meu macarrão não ficar tão gostoso quanto ao dos restaurantes.

Em minha pesquisa descobri que as nonas dos primeiros anos de nosso Brasil baronil, faziam isso porque as primeiras massas produzidas em solo brasileiro eram muito ruins e grudavam demais. Adicionar óleo ao cozimento atenua o efeito grude, mas também impede a adesão do molho. Colocar óleo na massa cozida no escorredor enquanto espera alguém chegar é pior ainda. 

Com certeza a produção de massas em nosso país evoluiu muito e hoje já não é mais necessário utilizar óleo já que tem boa qualidade e não grudam mais. Mas após tanto tempo, as famílias (espero que não só a minha) ainda utilizam óleo desnecessariamente, sem nem mesmo se perguntarem o porquê de estarem fazendo dessa forma.

Inconsciente coletivo é o termo usado na psicologia para essa situação. Além de nosso inconsciente pessoal, herdamos também o inconsciente social de nossas gerações passadas. Agora, imagine a quantidade de informação que utilizamos inconscientemente que não é somente nossa, mas de uma sociedade que talvez já nem exista mais. Quantas coisas fazemos todos os dias, sem no fundo saber exatamente o motivo, apenas fazemos por acreditar que essa é a forma correta.


Se em ações tão simples como cozinhar um macarrão esse inconsciente interfere, quantas outras coisas mais sérias e complexas esse armário de dados antigos não está influenciando nossa evolução. Engraçado que pensando sobre esse assunto, minha filha me interpelou perguntando os porquês de sua fase de descoberta, e entre muitas dessas perguntas eu só sabia responder: "Porque sim".

Acredito que chegou a hora de parar de reponder "Porque sim", e buscar as verdadeiras motivações de meus atos e pensamentos. Aprender a separar o meu do todo e o todo do meu é essencial. Chega de ficar estagnada em minha evolução por conta de crenças infundadas, passadas por telefone sem fio de uma geração para outra. É necessário limpar a poeira desse armário e atualizá-lo com informações novas e coerentes. Minha limpeza está começando, e a sua?

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