Liberdade

Há duas semanas não tomo mais meu antidepressivo. O desmame começou logo que recebi alta da terapia. Juntamente com meu psiquiatra, gradualmente fui retirando a droga que muito me auxiliou no início de minhas crises, mas que agora tornou-se desnecessária. Decidi jogar a muleta fora e caminhar sozinha.

O inicio do desmame foi difícil, meu corpo já acostumado com as substâncias, pediu socorro quando o nível da paroxetina começou a diminuir. Senti muitas tonturas, sensações inexplicáveis e o pior, sensação de estar pisando no limiar da sanidade e da loucura novamente. Mas com o tempo, essas sensações foram diminuindo e fui recobrando a confiança nos meus passos.

Não que eu esteja totalmente curada, ainda tenho momentos de muita ansiedade, de tristeza, mas agora é diferente. Sinto-me protegida por algo maior, algo que não consigo descrever com palavras. Tento controlar o futuro, mas no fundo eu sei que não preciso, entendo, ou pelo menos tento entender, que o futuro não existe.

Quando lembro que só o que temos é o agora, a liberdade mostra-se com toda sua beleza. As grades do tempo somem e tenho vontade de voar. A paz que sinto é tão grande, que todas minhas preocupações, medos e dúvidas desaparecem como que em um passe de mágica. Só consigo sentir o amor nesse momento. O amor de algo tão grande que tudo faz por nós, que tudo nos provê.

Liberte-se do tempo, das aflições, do passado ou do futuro. A vida está acontecendo AGORA!


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